Furto ocorrido durante corrida de aplicativo acarreta indenização à Plataforma, no Tribunal do AM.

O 18º Juizado Especial Cível de Manaus reconheceu a falha na prestação de serviço de empresa de mototáxi, após a ocorrência de furto de celular do usuário transportado durante a corrida. Segundo o magistrado houve a falha do dever de segurança e de incolumidade durante a execução do transporte.

A autora alegou que em parte da corrida o condutor teria reduzido a velocidade do veículo, momento em que outro motociclista se aproximou e furtou seu celular. A usuária teria aberto reclamação junto a plataforma, obtendo apenas o estorno do valor referente a viagem.

Em paralelo, a parte ré alegou a independência do condutor parceiro, bem como a configuração de caso fortuito externo e culpa de terceiros, porém, o juiz Jorsenildo Dourado do Nascimento condenou a empresa a indenizar, por danos morais e materiais a usuária.

O julgador foi incisivo quanto a taxação da falha na prestação se serviço, que segundo este não advinha de problema tecnológico mas sim da ausência de segurança na execução do transporte, visto que a conduta do motorista, no contexto narrado, é um fato que se insere no modo de execução do serviço contratado, configurando um defeito na prestação do serviço (art. 14, § 1o, do CDC)”.

Referido entendimento gera discussão acerca da tese do fortuito externo, que tem sido amplamente reconhecida em casos em que há por exemplo, em analogia, assalto dentro de ônibus e é afastada a responsabilidade civil da transportadora, por se tratar de fato de terceiro inteiramente independente. A empresa deverá indenizar a autora em R$ 2,8 mil pelo dano material e R$ 10 mil por dano moral.

VOCÊ TAMBÉM PODE SE INTERESSAR POR ESTAS PUBLICAÇÕES

Música feita com IA: quem fica com os direitos e o dinheiro?

O uso de inteligência artificial na criação musical voltou ao centro das discussões após notícias recentes envolvendo músicas geradas por IA que já circulam...

Aprovação de contas em assembleia e responsabilidade dos administradores, os contornos do quitus após o REsp nº 2.207.934/RS.

Em cenário de crescimento dos conflitos societários, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por maioria, reafirmou premissa central do direito societário, no...

Decisão Judicial Impõe Limites a Reajustes em Planos de Saúde Classificados como “Falso Coletivo”

O Judiciário brasileiro voltou a enfrentar a controvérsia envolvendo reajustes aplicados em planos de saúde formalmente classificados como coletivos empresariais, mas que, na prática,...