PEC 148/2015 e a retomada do debate sobre a escala 6×1 no Brasil

No mês de dezembro, ganhou destaque no cenário legislativo a retomada da discussão sobre a escala de trabalho 6×1, impulsionada pela aprovação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição nº 148/2015. A iniciativa insere-se em um debate mais amplo sobre a redefinição constitucional da jornada de trabalho no Brasil.

A PEC propõe a extinção da escala 6×1 e a redução progressiva da jornada semanal para 36 horas, preservando o limite diário de 8 horas. O modelo sugerido prevê até cinco dias de trabalho por semana, com dois dias de descanso preferencialmente aos sábados e domingos, sinalizando uma mudança estrutural na organização do trabalho.

Importante destacar que não há impactos imediatos, pois o texto ainda será submetido a dois turnos de votação no Plenário do Senado e, somente se aprovado, seguirá para análise da Câmara dos Deputados, conforme o rito constitucional aplicável às emendas à Constituição.

O parecer aprovado na CCJ estabelece uma regra de transição gradual, com prazo máximo de cinco anos: mantém-se a jornada de 44 horas semanais até 31 de dezembro do ano da promulgação; reduz-se para 40 horas no ano subsequente; e, a partir de então, promove-se a diminuição de uma hora por ano até atingir o patamar de 36 horas semanais. A proposta veda expressamente a redução salarial e preserva a compensação de jornada por meio de negociação coletiva, mitigando parte dos impactos econômicos.

Sob a ótica empresarial, embora os efeitos da PEC sejam potenciais e condicionados ao avanço do processo legislativo, e ainda que não haja providências a serem adotadas neste momento, o debate legislativo convida à análise prospectiva de seus possíveis reflexos sobre a organização do trabalho e a estrutura de custos.Em síntese, não se trata de decisões imediatas de contratação ou desligamento, mas de eventual redimensionamento do quadro de pessoal, voltado à continuidade operacional, à conformidade legal e à previsibilidade de custos, especialmente em um cenário de possível mudança normativa

VOCÊ TAMBÉM PODE SE INTERESSAR POR ESTAS PUBLICAÇÕES

Chargeback e responsabilidade do lojista: o STJ define limites para a imputação automática

O STJ firmou entendimento de que a responsabilização exclusiva do lojista por contestações e cancelamentos de transações (chargebacks) em casos de fraude somente se...

NR-1 e riscos psicossociais: o STF suspende as multas, mas o risco do empregador permanece

Em 25 de junho de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu por 90 dias a aplicação de multas e autuações...

Incidência de ITBI na integralização de imóveis em capital social: limites da imunidade constitucional

A integralização de bens imóveis ao capital social é prática recorrente em operações societárias, especialmente na constituição de holdings patrimoniais e na reorganização de...